A revista Piparote traz nesta matéria um pedaço do universo do poeta Edinho Santos. Considerado um dos artistas mais inovadores na poesia contemporânea, Edinho teve seu nome reconhecido quando finalista na competição de Poesia Falada no evento ISLAM BR, em 2017, destacando-se na performance em Libras com o poema “O mudinho”. Ao lado do poeta James Bantu, o seu intérprete, Edinho encontrou no amigo e no corpo a extensão que expressa a metáfora, a narrativa, o ritmo, a imagem e a inovação estética desta arte em crescimento no Brasil. Em depoimento, o artista elucida sua motivação: “Eu gosto do islam porque é um espaço periférico, se afasta da poética elitista. Estamos falando sobre temas [que] impactam, [são] relevantes”, afirma. O poeta, atualmente, publica a maior parte de seu trabalho inédito em redes sociais. E numa busca rápida pela internet, avolumam-se vídeos, pesquisas e a fortuna crítica acerca do artista… Ao final da postagem, trouxemos um vídeo dirigido pela TRIP TV,  intitulado “O Silêncio e a Fúria – poetas do corpo”, numa belíssima edição de imagens que convida o público para o Lugar de Observação.

MUDINHO

Quando eu era pequeno / diziam: ‘mudinho, mudinho, mudinho’/ Eu um pouco grande nem tanto / e eles: ‘mudinho, mudinho, mudinho’ / Eu já homem feito e barbado / e eles: ‘mudinho, mudinho, mudinho’ / Me casei, tive filho / e eles: ‘mudinho, mudinho, mudinho’ / Eu envelheci, me cansei, me curvei / e eles: ‘mudinho, mudinho, mudinho’ / Mudinho? Não, meu nome é Edinho, porra

SOU NEGRO E NÃO SOU SEU NEGRO NEGREIRO

Sou negro e não sou seu negro negreiro / Negro negreiro foi feito por branquela / Vai pensando que sou escravo / Não aceito me ver como animal / Tenho cabeça e olho e recebo informação todo dia / E não vou ficar batendo biela / Nunca vou esquecer 80 tiros cheio de buraco / Nós somos resistência, podem todo dia / A gente duela.

Edinho Santos

Edinho Santos

Edvaldo Carmo dos Santos, o Edinho Santos, é educador surdo do Itaú Cultural. Atua em várias áreas. Como poeta, tem participação no Slam do Corpo e se classificou entre os cinco melhores no Slam SP. Como ator, participou do filme O Matador. Como produtor, trabalhou no Vibração, no Bloco Vibramão e no Festival de Cultura Surda, do Itaú Cultural. Como ativista negro e surdo, compôs a organização do Congresso Nacional Social de Inclusão Negros Surdos. Na educação, também compôs equipes do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), do Museu do Futebol e do Museu Afro Brasil.

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