Publicado originalmente em 1882, O Alienista permanece uma das narrativas mais incisivas e perturbadoras de Machado de Assis. Ao acompanhar a trajetória do médico Simão Bacamarte, formado no exterior e instalado na pacata vila de Itaguaí, o autor constrói uma sátira mordaz sobre ciência, poder e normalidade — temas que seguem atuais e inquietantes.

À medida que Bacamarte amplia progressivamente seu conceito de loucura, a razão se converte em instrumento de controle: o hospício que ele funda passa a acolher não apenas os considerados “anormais”, mas quase toda a população da cidade. O medo de ser internado instaura um regime de vigilância e terror cotidiano, culminando em um desfecho tão irônico quanto filosófico, no qual os critérios de sanidade são radicalmente invertidos.

Nesta edição bilíngue português–chinês, publicada pela Editora da Unicamp, o clássico machadiano ganha nova dimensão internacional. A tradução para o chinês, assinada por Min Xuefei, permite que leitores de outra tradição cultural acessem a sofisticação narrativa, o humor corrosivo e a ambiguidade moral que fazem de Machado um autor universal. O volume conta ainda com apresentação de Paulo Franchetti, que contextualiza a obra e ilumina suas camadas críticas.

Mais do que um exercício de tradução, esta edição reafirma O Alienista como um texto-chave para pensar os limites entre ciência e autoridade, indivíduo e sociedade, razão e desrazão — agora em diálogo direto entre línguas, culturas e leitores.

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