Em A Aranha, novo volume da série Joona Linna, Lars Kepler reafirma seu lugar central no thriller escandinavo contemporâneo ao combinar investigação policial, jogos psicológicos e uma violência calculada que mantém o leitor em permanente estado de alerta. Com tradução de Renato Marques, o romance aprofunda o universo já conhecido da série e eleva o nível de tensão ao colocar seus próprios protagonistas no centro da ameaça.

A trama parte de um aviso antigo, quase esquecido. Três anos antes, a detetive Saga Bauer recebeu um cartão-postal com uma mensagem enigmática e brutal: uma pistola Makarov, nove balas brancas e uma promessa de morte direcionada a Joona Linna. O tempo passou, nada aconteceu — até que um corpo quase completamente dissolvido surge amarrado em um saco nas proximidades do porto de Kapellskär, no mar Báltico. Junto ao cadáver, uma bala branca. O passado retorna com força total, revelando que a ameaça nunca foi vazia.

A partir desse ponto, A Aranha se estrutura como um jogo de caça altamente sofisticado. O assassino se comunica por meio de cartões-postais, cada um trazendo enigmas que funcionam como pistas e armadilhas. A polícia corre contra o tempo para decifrá-los antes que novas mortes ocorram, enquanto Joona Linna e Saga Bauer percebem, pouco a pouco, que não estão apenas investigando um crime — estão presos na teia de alguém que antecipa seus movimentos e se alimenta do desespero alheio.

Um dos grandes trunfos do romance é a construção do antagonista. Fiel à reputação de Kepler, o livro mergulha sem concessões na mente de um psicopata meticuloso, cuja crueldade não é gratuita, mas parte de uma lógica interna perturbadora. A violência é gráfica quando necessário, mas sempre funcional à narrativa, intensificando a sensação de ameaça constante. Não por acaso, a crítica internacional destaca o “notável senso de crueldade” do autor e sua capacidade de explorar os limites psicológicos de vítimas e investigadores.

Joona Linna e Saga Bauer formam aqui uma dupla marcada pela tensão, pela confiança mútua e por cicatrizes acumuladas ao longo da série. A relação entre os dois adiciona densidade emocional à investigação, impedindo que o livro se reduza a um simples quebra-cabeça policial. Há risco real, perdas possíveis e a sensação de que ninguém — nem mesmo os protagonistas — está a salvo.

Com ritmo acelerado, estrutura precisa e reviravoltas bem calculadas, A Aranha é um thriller que honra as expectativas dos leitores da série e também funciona como porta de entrada para novos leitores interessados em narrativas policiais sombrias e inteligentes. Lars Kepler entrega um romance impactante, cruel e inesperado, que confirma por que a série Joona Linna permanece como uma das mais eletrizantes do gênero.

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