Entrevista com Mamede Mustafa Jarouche: o Tradutor do “Livro das Mil e Uma Noites”

Manuscrito da história de Umar Annuman, século XVII, John Rylands


O quinto volume do Livro das Mil e Uma Noites acaba de ser lançado pelo selo editorial Biblioteca Azul com tradução direta do árabe para o português pelo tradutor e pesquisador Mamede Mustafa Jarouche. A Revista Piparote conversou com o especialista em literatura árabe a respeito de sua mais recente tradução e de seus projetos em curso, bem como apontou o trabalho de tradutores e editoras direcionados para a literatura árabe no Brasil. O entrevistado nos concedeu imagens de manuscritos que podem ser conferidas ao final da entrevista.


Luis Marcio Silva – O “Livro das Mil e Uma Noites” foi originalmente traduzido do manuscrito árabe pelo diplomata e tradutor francês Antoine Galland e essa tradução se tornou peça-chave para a inserção da obra no ocidente. Neste sentido, como este livro repercutiu à época entre a camada dos intelectuais e dos letrados da França no início do século XVIII, período em que a língua francesa gozava de grande prestígio nas relações internacionais e deu a conhecer no seu idioma enciclopedistas e iluministas?

 

Mamede Mustafa Jarouche – Galland, como está amplamente documentado, traduziu um manuscrito árabe incompleto do Livro das Mil e Uma Noites, de cuja existência ele somente foi informado em 1701, quando já havia retornado à França. Um sírio de Alepo que era seu amigo, e que então vivia em Paris, informou-o da existência da obra, que ele recebera de sua terra. Galland a comprou dele por dez escudos. Era um exemplar em três volumes das Noites, copiado no século XV, incompleto, com “apenas” 282 noites. Assim que pousou os olhos na obra, Galland resolveu dedicar-se em tempo quase integral ao trabalho de tradução, que durou até a sua morte, em 1715. A repercussão entre o público leitor foi grande, o que é comprovado pelo amplo sucesso obtido pelo trabalho, publicado em vários volumes até 1717. É evidente que foi lido tanto pelo vulgo como pelas classes cultas. Note que era amplamente conhecido entre os iluministas, que o citaram diretamente, como Voltaire. Diderot, Montesquieu, Rousseau, enfim, os homens cultos o haviam lido. Voltaire a cita de maneira jocosa, satírica, mas nem por isso ela deixou de ser uma referência para ele. Segundo o narrador de Zadig, as sultanas da Pérsia apreciavam tais histórias justamente por serem “desarrazoadas”, “sem significado algum”. Montesquieu claramente se inspira nas Noites para escrever as suas célebres Cartas persas. As joias indiscretas, de Diderot, também são resultado da leitura das Noites. Enfim, os testemunhos são muitos. No caso da repercussão popular, além do documentado sucesso de vendas, conta-se uma anedota significativa sobre o fato de, a certa altura da tradução, Galland haver suprimido a divisão por noites e a fórmula “ó minha querida irmã, conte-me mais uma de suas belas histórias”. Segundo a anedota, Galland a suprimiu porque muitos jovens de Paris se reuniam à sua porta, à noite, gritando a fórmula. Se non è vero, è ben trovato, diria alguém. E a tradução francesa foi largamente consumida pelas elites intelectuais europeias, justamente porque o francês gozava, então, de grande proeminência intelectual. Minha amiga e ex-orientanda Christiane Damien estudou em detalhe a tradução de Galland e a importância de seu trabalho. É a maior especialista brasileira no assunto, sem dúvida.

LM – Agora que o “Livro das Mil e Uma Noites” chega ao quinto e último volume traduzido diretamente do árabe e se mostra, sem dúvida, como um dos trabalhos de tradução mais importantes para a língua portuguesa, fale um pouco sobre como foi o seu ofício de tradutor e pesquisador relativo às fontes dos manuscritos árabes. O trabalho cotejou, ademais, com outras traduções?

 

MMJ- A tradução chegou ao quinto volume, mas seria interessante esclarecer em que sentido ele é o último. Na verdade, é o último que envolve pesquisas com os manuscritos e um trabalho de montagem do texto árabe. Essa foi a tônica desses cinco volumes. No caso do quinto, que acaba de sair dos prelos, fui convidado por um editor iraquiano a publicar o texto árabe que usei para a tradução. O problema é a que a fixação foi por assim dizer virtual, ou seja, eu ia montando o texto mentalmente conforme consultava os diferentes manuscritos e os traduzia, mas não cheguei a anotar esse texto em árabe. De qualquer forma, se o trabalho for efetivamente realizado, isto é, se eu começar a fazê-lo, será um grande desafio. Mas, voltando à questão do último volume, esse quinto é o último que envolveu pesquisa com os originais manuscritos mais antigos. Falta ainda traduzir muitas histórias constantes dos manuscritos mais recentes e das edições impressas neles baseadas. Durante o processo de tradução, quase não compulsei outras traduções, acho que por vários motivos, dos quais eu talvez não consiga dar conta. Um pouco de desconfiança, um pouco de medo de ser “influenciado” por soluções adotadas por outros tradutores, mas, principalmente, pelo desafio pessoal de enfrentar os originais com a cara e a coragem. Acresce, ainda, que boa parte das histórias dos três últimos volumes não havia sido traduzida para nenhuma língua. Sirva como exemplo esse quinto volume, que enfeixa uma grande narrativa, a história do rei Umar Annuman e seus descendentes, a qual, com efeito, é também uma grande história moldura, quase inteiramente passada no que se chama de “rota da seda”, recheada de narrativas encaixadas. Todas as traduções, sem exceção, foram feitas sobre as edições impressas em árabe. Ocorre que as versões mais antigas são muitíssimo diferentes, e bem mais longas e ricas, do que os textos constantes das edições impressas em árabe. Para a maior parte dos pontos duvidosos, que são inúmeros, de nada me adiantaria consultar as outras traduções, que não enfrentaram esses problemas porque lidaram com a versão domesticada publicada nas edições impressas retocadas pelos revisores árabes.

 

LMA metonímia dos países ocidentais é esta: no Brasil, lemos Machado de Assis; na França, lê-se Victor Hugo; na Inglaterra, Shakespeare; na Espanha, Cervantes etc. O  “Livro das mil e uma noites” talvez seja a maior riqueza da literatura árabe ocupando um lugar de destaque no ocidente. Mas até que ponto um título de excelência pode criar hegemonia e conservar à sombra outros livros e escritores fora deste circuito literário? Por que isso acontece?

 

MMJ – O “Livro das mil e uma noites” é a obra mais conhecida da literatura árabe no Ocidente. Quanto a isso não resta dúvida. Não considero, porém, que seja a sua maior riqueza. Isso não significa que ela não seja excelente, mas sim que existe muita coisa de excelência naquela cultura, sendo, portanto, injusto reduzi-la às Noites. Justamente por esse motivo, esse livro não mantém à sombra livros e escritores fora do seu circuito. Não chegou a ser “hegemônica”. A recuperação das Noites, ou, por outra, sua reincorporação ao patrimônio literário árabe, é relativamente tardia, e, tendo em vista a precariedade dos textos que hoje circulam editorialmente em árabe, é ainda um trabalho em progresso, como se costuma dizer. Hoje mesmo temos as mais variadas apropriações das Noites: existe uma militância feminista que a reivindica, outra que a rejeita; existe a apropriação, por vezes irônica, do seu modo de narrar, bem como de sua temática e até mesmo da adulteração e mutilação a que muitas narrativas árabes foram submetidas durante a sua incorporação às Noites. Aliás, retomando o início dessa questão, é útil deixar claro que o que pertence de fato às Noites é pouco. Eu diria que sobra pouca coisa exclusivamente “mileumanoitesca” nas Noites: basicamente, o prólogo-moldura com a história dos dois reis, Shahriyar e Shahzaman, e das duas irmãs, Shahrazad e Dinarzad. O resto, ou seja, as histórias contadas por Shahrazad para sua irmã e para o marido, são histórias extraídas de outras fontes e adaptadas. Mas estamos diante de um título voraz, que submeteu ao seu ritmo narrativas que não foram originariamente produzidas para pertencerem a ele. Sucede, no entanto, que a força do seu mote central – uma narrativa contada por uma personagem feminina com o intuito de salvar não só a própria vida como também a das mulheres do reino – é tão grande que fez submergir qualquer traço de extemporaneidade que acaso possamos entrever em sua inclusão, naturalizando, por assim dizer, o processo. Todas as narrativas incluídas nas Noites sucumbiram enquanto narrativas “autônomas”, tornando-se parte indivisível das Noites, essa obra onívora.

 

LMQuais escritoras e escritores da literatura árabe merecem tradução? Há tradutores brasileiros atuando na tradução direta do árabe na poesia?

 

MMJ – Seria pueril fazer listas de nomes, claro, mas é evidente que existem numerosos escritores árabes que, sim, merecem muito ser traduzidos! É fácil constatar isso observando o panorama internacional: autores árabes modernos, de tendências as mais díspares, são traduzidos em profusão ao inglês, ao francês, ao alemão, ao italiano, ao espanhol, entre outras línguas. Em português, faltam duas coisas: um bom mercado leitor e tradutores. Hoje, felizmente, embora existam tradutores brasileiros atuando na tradução direta de prosa e de poesia do árabe ao português, eles ainda são bem poucos. Além da minha colega e amiga Safa Jubran, que está há tempos no batente, hoje temos nomes como Pedro Criado, Felipe Benjamin Francisco, Jemima Alves, Marco Calil, Alexandre Charetti, Michel Sleiman. Os três últimos se dedicam preferencialmente à poesia. Também temos alguns tradutores bissextos do árabe, como o nosso querido Marco Lucchesi, presidente da ABL. Fundada há pouco tempo, a editora Tabla, fruto do esforço benemérito, entre outros, de Laura di Pietro, tem publicado literatura árabe moderna, com ênfase em trabalhos de escritoras contemporâneas. O propósito é dar visibilidade às vozes femininas do mundo árabe, que não raro são assimiladas, na consciência ocidental, ao véu e à repressão, uma imagem empobrecedora e falsa.

LMMuito se discute na teoria literária sobre a tríade autor, obra e público para a formação de um sistema literário. Pensando a tradução como uma troca cultural e estética de grande enriquecimento entre diferentes países, de que maneira o trabalho de um tradutor contribui para a formação da literatura?

 

MMJ – Essa questão é complexa e enorme, obviamente, mas vou ser breve, bem breve, para que sejam mínimas as minhas platitudes. Pense-se – e estou falando de uma literatura rica como a francesa – na tradução de Galland das Noites, publicada entre 1704 e 1717. O impacto foi tremendo, estão aí muitos estudos que o comprovam. Em que termos se deu essa troca? Essa tradução fundou, passe o termo, uma forma de ver o mundo árabe e muçulmano, forma essa que contamina (o viés do termo é proposital) a visão ocidental até hoje. Ao mesmo tempo, serviu como fonte de inspiração e apropriação não só de autores franceses, mas também ingleses, russos, espanhóis, italianos, portugueses etc. De quebra, estimulou, no próprio mundo árabe, a leitura das Noites e as pesquisas sobre a obra. Agora, um exemplo do mundo árabe: um dos maiores escritores de lá, o egípcio Najib Mahfuz, sempre deixou clara a importância das obras de Dostoiévski, Kafka, Zola, entre outros, para a sua maneira de escrever. E são todos autores que ele leu em tradução. Assim, as literaturas russa, alemã, francesa foram assimiladas e apropriadas por um autor árabe de larga influência sobre o seu público e na formação de outros escritores. E esse autor, Najib Mahfuz, leu todas essas obras, ou a maioria delas, em tradução. Há entrevistas dele afirmando que os lia, assimilava e compunha a sua própria obra. No Brasil, é desnecessário falar sobre a importância de autores estrangeiros, muita vez lidos em tradução, na maneira de escrever dos autores nacionais.

Voltando às Noites, existe ainda um fato bem curioso sobre a “circularidade da circulação”, se me permite a redundância: ali por volta de 1707, Galland, que estava com dificuldades para completar a sua tradução das Noites, encontrou-se em Paris com um sírio maronita de Alepo chamado Hanna Diab, que lhe contou algumas histórias para “completar” a tradução. Entre elas, as hoje celebérrimas “Aladim e a lâmpada mágica” e “Ali Babá e os quarenta ladrões”. Galland as ouviu, tomou anotações e depois as incluiu em seu trabalho. Ocorre, porém, que não restaram vestígios escritos dessas histórias em árabe: paradoxalmente, elas se difundiram no Mundo Árabe a partir de traduções e adaptações com base no próprio texto francês de Galland. É curioso, aliás, notar a participação de alepinos na difusão das Noites no Ocidente: lembremos que foi um alepino, cujo nome ignoramos, que vendeu para Galland o manuscrito árabe das Noites (que também foi produzido em Alepo), e o alepino Hanna Diab contou ao tradutor francês duas das histórias desse livro que se tornaram as mais célebres no Ocidente e, em certa medida, no próprio Mundo Árabe.

De passagem, quero informar que Hanna Diab não se limitou a contar a Galland a história de Aladim; na verdade, ele se comprometeu, conforme o mesmo Galland registrou em seus diários, a lhe entregar uma versão escrita dessa história, versão essa que até um ou dois anos atrás era considerada perdida. Porém, um pesquisador sírio, professor e pesquisador na França, encontrou esse manuscrito e vai publicá-lo, talvez neste ano de 2021, talvez no ano que vem. Até onde sei, o trabalho está pronto ou em vias de conclusão.

 

LMHá projetos de pesquisa, hoje, que aliam o ofício do tradutor às pesquisas históricas a partir dos manuscritos? Como os interessados podem iniciar por este caminho da literatura árabe no Brasil?

 

MMJ – Existe, em universidades brasileiras, o trabalho de crítica genética, que pressupõe pesquisa em manuscritos, ou datiloscritos. Roberto Zular, meu colega de teoria literária, tem todo um trabalho de crítica genética com manuscritos de Paul Valéry, mas não tenho notícia de que disso tenha se originado alguma tradução, e não me parece que fosse esse o propósito. De qualquer forma, o trabalho com manuscritos, em especial no tange a obras mais antigas sobre cuja fixação textual pairem dúvidas, seria um caminho, mas não tenho notícias de que tenha sido efetivamente trilhado por alguém, muito embora seja moeda corrente na Europa. Claudia Ott, arabista alemã, fez sua tradução de As Cento e Uma Noites com base em um manuscrito desse que ela encontrou, e, esses dias mesmo, Ibrahim Akel e Aboubakr Chraïbi publicaram um manuscrito de um gênero erótico cuja existência era desconhecida, e que logo deverá ser traduzido para várias línguas, sem dúvida.

 

LMPercebo nas suas falas que você insiste, de forma justa, na figura do contista argentino Jorge Luis Borges quando aborda a temática da recriação em seus textos a partir do “Livro das Mil e Uma Noites”. Parece-me que “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, publicado inicialmente em folhetim, se assemelha – no formato de publicação – ao fio narrativo das experiências de Shahrazád para prender a atenção do leitor/ouvinte como uma forma de sobre-vivência da literatura em face dos anseios mercadológicos. Em que medida o universo das Noites negocia com a vida, com a literatura e com o mercado?

 

MMJ – É justo notar que muitos romances no século XIX foram publicados em forma de folhetim, e que essa forma foi também um ajuste em face dos anseios mercadológicos, como você diz, sendo razoável acrescentar que esse ajuste tendeu, como não poderia deixar de ser, a degradar a prática literária. Embora pareça um contrassenso, a sobrevivência da literatura no mundo da mercadoria se deveu à própria degradação de uma parte dessa literatura, tornada subliteratura e, portanto, lixo, numa espécie de rito sacrificial para a manutenção da prática literária que de fato valia a pena, que é a que sobreviveu ao escrutínio implacável do tempo. É e foi uma espécie de negociação, da qual os agentes decerto nem sequer tinham consciência. E é também justo lembrar que, de certo modo, a publicação em folhetins emula o princípio formal constitutivo das Noites, que consiste justamente em alimentar a expectativa do leitor produzindo alguma forma de tensão, de suspense, enfim, de anseio pela continuidade do relato. Já do ponto de vista temático, chega a ser banal verificar como as Noites tornam a narrativa e a vida elementos intercambiantes, e, por extensão, não passíveis de exclusão: uma não existe sem a outra. E esse processo se dá metaforizando a atividade mercantil, pois a todo momento se propõem trocas, como num mercado: uma história, uma vida, a primeira como dinheiro, a segunda como mercadoria. Trata-se, esteja claro, de um processo irônico, diria mesmo mordaz, de alegorização, com grande rendimento estético. Borges se apropria de toda a carga “literária” das Noites, carga essa que vai das histórias contidas no livro às histórias da constituição do livro, usando-a para toda sorte de motes que o fascinavam: o eterno, a inesgotabilidade, o acaso, a busca infinda, a indeterminação, entre tantos outros.

 

LMAgora que você chegou ao término da tradução das Noites, os leitores podem esperar algum outro trabalho voltado para a literatura árabe?

 

MMJ – Já terminei a tradução de 91 fábulas árabes, que deverão ser publicadas pela editora Globo em novembro, sob o título de Fábulas árabes. Acabei de ver as provas, que ficaram muito bonitas, com belas ilustrações de Sandra Javera. Também estou traduzindo, para a editora Tabla, a novela O tumor, do escritor líbio Ibrahim Al-Kôni, que é uma discussão cerrada sobre o poder. Eu a lera fazia muito tempo, por coincidência na época em que Kadafi foi derrubado, e não fazia ideia da dificuldade de traduzi-la! Estou em contato com o autor, que me tem dado esclarecimentos sobre certas questões conceituais. Mais para diante, no curto prazo, a ideia é traduzir O colar da pomba, um adorável tratado amoroso escrito por Ibn Hazm em Córdoba no século XI, e, se houver interesse da editora e for viável, concluir a tradução das Noites com as histórias tardiamente incluídas nas edições impressas em árabe, e que não constaram dos cinco volumes já publicados.



  • Tradução: Mamede Mustafa Jarouche
  • Páginas: 664
  • Formato: 16cm x 23cm

Mamede Mustafa Jarouche: nascido em Osasco em 12/02/1963. Bacharel em Letras Árabe/Português pela USP (1988), doutor em Letras pela USP (1997), Livre-Docente em 2009 e Titular em 2017.

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